Todas nós já sabemos que a situação econômica do país não está fácil. Em todo lugar vemos empresas fechando, comércio demitindo, lojas vazias e poder de compra do consumidor diminuindo. Com esse cenário desanimador, muitos pensam que a melhor saída é cortar gastos e apertar os cintos até a tempestade passar. De certa forma essa atitude cautelosa pode salvar muitos negócios, mas é preciso também pensar fora da caixa, afinal, em uma crise muitos choram, mas alguns ficam ricos vendendo lenços.

 

Mas como fazer as duas coisas em um momento tão delicado quanto esse? Como balancear a contenção de gastos com a ousadia de tentar coisas novas na empresa? Como identificar e atacar nichos negligenciados sem arriscar um rombo financeiro agravado pela crise? Estamos trabalhando em algumas estratégias que talvez sejam o caso de muitas das leitoras da Emdime e resolvemos dividir algumas dicas que possam ajudar outras empresárias.

 

Como alguns de vocês sabem, trabalho com venda de móveis e artigos de decoração para consumidor final. Nosso canal de vendas é todo virtual e temos uma linha de produto com uma linguagem bem específica. Desde o começo da empresa (que ainda não tem 1 ano), queríamos atacar também o mercado B2B (business to business – vendas para outras empresas) além do que fazemos atualmente que é o B2C (business to consumer ou venda para consumidor final). Como esse era um plano que tínhamos desde o começo, resolvemos aproveitar o momento de “calmaria” para movimentar um pouco e organizar estratégias para colocar esse plano em prática.

 

Nesse caso, como vendemos um produto físico bem definido (e não um serviço ou projeto sob medida), a adaptação para os 2 segmentos de mercado não é tão simples quanto parece. Existem algumas etapas e mudanças a serem feitas no branding da empresa, alterações nas estratégias de captação de clientes (de ambos os setores) e alterações na plataforma de venda para que um setor não concorra com o outro negativamente, etc.

 

Mas antes de começar todas essas mudanças (que custam tempo e dinheiro), é preciso responder à pergunta principal: seu cliente está disposto a pagar pelo produto que você quer oferecer? A melhor forma de descobrir é fazendo uma validação da ideia, no nosso caso, apresentar um MVP – falamos dele alguns meses atrás. Nossa estratégia é criar um MVP (um protótipo da nova linha de móveis) e tentar vendê-lo. Neste caso oferecemos tanto para o consumidor final (em quantidades limitadíssimas) e para outras empresas – em forma de catálogo. Dessa forma conseguiremos levantar dados do mercado, estudo de preço e feedback para melhorar o produto, antes de começar uma produção em massa.

 

Após essa validação inicial (bem rápida), é necessário partir para as adaptações de branding e posicionamento de marca que conversem tanto com o mercado B2B quanto o B2C. Nessa etapa, você pode contratar uma empresa especializada ou tentar realizar as mudanças por conta própria. Como já desembolsamos um valor na produção do MVP, uma forma barata de fazer isso é estudando o modelo de negócios de outras empresas que atuem nos 2 setores, concorrentes ou não. Em um primeiro momento você pode até copiar algumas estratégias e depois adaptá-las às suas necessidades.

 

Um fornecedor de peças metálicas que tem mais de 10 anos no mercado me disse, durante uma conversa, que estava aproveitando a baixa nas vendas (e o tempo livre dos funcionários que restaram – de 10 funcionários ficaram apenas 4) para desenvolver novos serviços e produtos que ele não tinha tempo de fazer durante os períodos movimentados. Embora a dificuldade financeira limite muito os planos de crescimento, esses períodos de calmaria nos permitem avaliar com mais clareza estratégias de vendas diferentes, desenvolver novos produtos e serviços ou até organizar melhor os processos dentro da empresa – não importa o que seja, o importante é não deixar a peteca cair.

 

E você? O que pode mudar ou melhorar na sua empresa agora para alavancar o crescimento depois que a tempestade passar?

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    Agnes Helena

Mestra em Arquitetura e Urbanismo graduada pela FAU USP com especialização em restauração e requalificação urbana. Após alguns anos atuando na construção civil com projeto e gerenciamento de reformas comerciais e residenciais, reuniu os conhecimentos acumulados na área e resolveu se aventurar no empreendedorismo, abrindo seu próprio negócio com foco em sustentabilidade e decoração. Atualmente é proprietária da loja virtual Agnolias, dedicada a desenvolver móveis e artigos de decoração feitos com matéria-prima reciclada, posicionando-se no mercado como uma alternativa ecológica e descontraída na esfera da decoração e design de interiores.

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